Ricardo Alves

Arquivo de intervenções cívicas de Ricardo Alves.

República desequilibrada à direita

Na vigência da actual Constituição, houve em Portugal várias maiorias parlamentares da esquerda, mas não houve um único governo da esquerda: houve governos do PS, o que é diferente. As maiorias plurais da direita, pelo contrário, sempre resultaram em governos da direita: vamos na terceira AD.
O eleitorado que vota à esquerda sente-se traído, e com razão: quando a direita governa vira sempre a República mais à direita (o governo actual, com o vento da troika e do BCE, é um exemplo extremo); quando o PS governa, é centrista.
A esquerda do protesto perpétuo (e raramente eficaz) e a esquerda da cedência (e dos avanços tímidos) concordam no diagnóstico: a culpa é dos outros, que são uns sectários. Em boa verdade, registe-se que as rituais disponibilidades dos mais radicais nunca foram claramente articuladas em prioridades realistas e negociáveis e que do lado do PS só circunstancialmente Sampaio, Alegre ou Costa mostraram vontade de unir as esquerdas. Jerónimo e Louçã serão felizes assim: só na Grécia a esquerda radical é maior que a portuguesa. Não entendem que o seu sucesso (relativo) é um fracasso porque os votos não se traduzem em poder. E muito PS será feliz por não partilhar o poder, esquecendo que perde em capacidade transformadora.
Os cidadãos preocupados com o bloqueio da esquerda devem tentar mudar os dados da questão.

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Written by Ricardo Alves

4 de Abril de 2012 às 23:45

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