Ricardo Alves

Arquivo de intervenções cívicas de Ricardo Alves.

A política que o euro criou

A crise europeia é também uma crise do sistema político-partidário.
A UE apoiou-se num pacto entre os partidos do centro, excluindo radicais de esquerda e direita. O pacto dava mais poder ao BCE do que a políticos eleitos. Agora, quando o edifício europeu vacila e se pode desagregar, os partidos mais penalizados são os “do centro”, de que se esperava que contivessem a deriva monetarista e neoliberal: os socialistas. Estão afastados do governo em quase toda a UE e, amarrados às respectivas troikas em Portugal e na Grécia, assistem passivamente à destruição do Estado social construído desde 1945.
A crítica da Europa realmente existente, nas duas décadas pós-Maastricht, veio essencialmente da direita nacionalista no Norte da Europa, e a sul da esquerda anticapitalista (desacreditadas, respectivamente, pela sua xenofobia irracional ou pelo seu anacronismo bolchevique). Porém, o dilema presente não é entre resolver a crise na UE ou no isolamento nacional, mas sim saber se o poder reside na democracia e nos cidadãos ou no mercado e nos financeiros.
Em Abril, as eleições na Grécia e na França mostrarão que consequências políticas da crise retiram os eleitorados desses países. As sondagens indicam uma viragem à esquerda, mais forte na Grécia. É a oportunidade para uma esquerda contrária ao austeritarismo mas credivelmente democrática.
Anúncios

Written by Ricardo Alves

15 de Fevereiro de 2012 às 23:50

Publicado em i

Tagged with