Ricardo Alves

Arquivo de intervenções cívicas de Ricardo Alves.

E depois do empobrecimento?

Numa das célebres “Farpas”, Eça de Queirós imaginou um partido político que respondia a todas as questões com o pregão “Economias!”. Cento e quarenta anos depois, esse partido chama-se PSD/CDS. Excedendo a caricatura queirosiana, propõe, após décadas de promessas de prosperidade e enriquecimento e num malabarístico ovo de Colombo, a meta do empobrecimento nacional.
Na educação, na saúde, nos transportes, na comunicação social, na cultura ou na diplomacia, tudo – à excepção do reforço da vigilância e da repressão policial – é decidido invocando a palavra de ordem do empobrecimento. O que é muito pobre.
É pobre porque não chega como fundamento político. Se o governo quer dinheiro, podia taxar os bancos e não os reformados, vender submarinos e não monopólios naturais, rever os contratos com as parcerias público-privadas e não subir as taxas moderadoras, reduzir o pessoal da autonomia madeirense e não o dos municípios, terminar as aulas de Religião e Moral e não as de Formação Cívica. As opções feitas não decorrem da austeridade: são escolhas ideológicas.
A política do empobrecimento é também pobre porque omissa quanto ao pós-empobrecimento. O governo tem uma estratégia para o crescimento da economia? Em que sectores? A educação e a ciência serão prioridades? Nada sabemos. Depois do empobrecimento, Passos e Gaspar ficarão sem política.
Anúncios

Written by Ricardo Alves

14 de Dezembro de 2011 às 0:17

Publicado em i

Tagged with