Ricardo Alves

Arquivo de intervenções cívicas de Ricardo Alves.

Merkozy e os seus criados

Há aqueles que encaram as circunstâncias como inevitáveis, e os que tentam mudá-las. Cada uma dessas posturas tem vantagens e o seu contrário, mas não se sai de uma crise esperando que passe ou (o que resulta igual) aceitando que outros decidam por nós.
Na ausência de democracia europeia e enquanto tarda a secessão do euro, há um breve instante para os líderes nacionais brilharem. Por exemplo, seria um revolucionário sinal de inconformismo que os Estados «periféricos» se coligassem, em vez de persistirem numa antidemocrática atitude de subserviência perante o eixo germano-francês. Caso não tenham reparado, «Merkozy» é também uma mera coligação de interesses entre Estados, tão europeísta como qualquer outra, mas mais democrática – na medida em que os respectivos eleitorados se podem sentir representados.
Infelizmente, há escravos que não desejam libertar-se. Sabe-se que Passos Coelho viveu toda a vida à sombra de algo ou de alguém: da jota, do partido, de um barão do partido, das empresas do barão do partido. A sua cultura política é a do aparelhismo, não a do desafio perante hierarquias que aceita como inamovíveis. Ninguém imagina, por detrás daquele sorriso postiço, coragem para oferecer o peito às balas.
Sim, a UE continuará às ordens da Alemanha. Pelo menos enquanto tantos mantiverem interiorizada uma mentalidade de criados.
Anúncios

Written by Ricardo Alves

1 de Dezembro de 2011 às 0:24

Publicado em i

Tagged with