Ricardo Alves

Arquivo de intervenções cívicas de Ricardo Alves.

A guerra de classes segundo Warren Buffett

Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo, assumiu em 2006 que “há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la”. Anteontem, voltou a recordar-nos que só paga 17% em impostos, enquanto os seus empregados pagam 33% ou 41%.
Esta desigualdade encerra parte do drama da era do capitalismo financeiro, pós-industrial. O tamanho imenso da fortuna de Buffett não se deve a nenhum poço de petróleo, patente inovadora, novo produto industrial, ou a criação directa de emprego. Limitou-se a investir, comprar por menos para vender por mais, transferir dinheiro daqui para acolá.
Registe-se que se era o homem mais rico do mundo em 2008, em 2011 será o terceiro porque, do alto dos seus 80 anos, começou a doar a sua fortuna à assistência social e à difusão da educação e do conhecimento, principalmente através da fundação de Bill Gates, outro hipermegamilionário.
Como diz Buffett, os sacrifícios não são repartidos: os ricos poderiam e deveriam pagar mais impostos.
Impõe-se taxar mais o capital e menos o trabalho. Passos Coelho pensa o contrário: engordou-nos a conta da electricidade, ao invés de cortar as pantagruélicas gorduras da banca. Na guerra de classes lusitana, os ricos continuam a ganhar. E raramente doam dinheiro para bolsas de estudo e investigação científica.
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Written by Ricardo Alves

18 de Agosto de 2011 às 0:44

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